Two men and a place
The fourth section of my book Ao norte daqui is dedicated to the memory of my great-uncle Abelardo Duarte (1900-1992), physician, historian, ethnologist, anthropologist, student of the Afro-Brazilian culture, researcher of the travels of Emperor Peter the Second of Brazil to the lower São Francisco river and the city of Penedo, and author of the book Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina nas Alagoas (1975). Abelardo Duarte was the son of doctor José Antônio Duarte and Maria Clementina Coutinho de França (Nolinha). He married Maria Gomes Malta (Mariquinha) in Recife. Maria was a daughter of governor Euclydes Malta, which helped the creation of the Coleção Perseverança in Maceió.





His father (below), José Antônio Duarte, was a professor in the Liceu Alagoano and one of the most popular doctors of his time. His clientele was the largest in Maceió, where he became famous for treanting the poor for free. José Duarte served as Patron of Cadeira 12 of the Academia Alagoana de Letras.

Abelardo Duarte was my mother Yedda’s uncle. Yedda married Abelardo Albuquerque in December 23, 1944.


The text below is transcribed from my Facebook page.
Dr. Abelardo Albuquerque
Centenário de nascimento
1915-2015
Neste 9 de outubro comemoramos, eu e minha irmã, Ivana Medeiros Albuquerque, assim como meus sobrinhos e sobrinhos-netos, o centenário do nascimento do nosso pai, avô e bisavô, Abelardo Albuquerque.
Ele me deu duas vidas. A segunda foi salvar minha vida quando eu tinha 15 anos. Tive um osteoma frontal, felizmente benigno, diagnosticado pelo doutor Eduardo Jorge. No período pré-internet ele conseguiu marcar consultas com o doutor Ermiro de Lima, por sinal pernambucano, que tinha criado a técnica de remoção desses osteomas, com a condição de que a cirurgia fosse feita no hospital-escola de São Francisco no Canal do Mangue, o que ocorreu.
Profissionalmente, a realização de que mais se orgulhava era talvez a de ter sido o co-fundador do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Sociedade de Medicina de Alagoas. Apesar de ter sido um médico de muito destaque e com grande e leal clientela, não há hoje em dia em Maceió nenhuma rua, nenhum logradouro público, nenhum prédio, nenhuma clínica com o seu nome. Nunca foi do seu feitio nem do feitio dos seus herdeiros bajular os poderosos da terra para esses ou outros fins, nem o estamos fazendo agora.
Basta-nos o legado que nos deixou, bens impalpáveis de valor incalculável que são o exemplo de retidão e honestidade a toda prova. Generoso ao extremo, deu a seus filhos e netos a melhor educação que Maceió e Recife tinham a oferecer naquela época e respeitou a liberdade de escolha dos filhos, inclusive minha decisão de não viver no Brasil, inicialmente em rejeição à ditadura militar e depois em protesto contra a corrupção instalada no país, independentemente do regime em vigor ou do partido político detentor do poder.
Outra lição que nos deu a todos foi o horror à ostentação, a “aparecer”, e a qualquer tipo de auto-promoção. Apesar de ter os meios para circular na chamada alta sociedade, preferiu levar uma vida simples em companhia da devotada e querida esposa, nossa saudosa mãe Yedda, assim como dos outros membros da família, cultivando laços fortes e duradouros com parentes, vizinhos, e os numerosos compadres, comadres e afilhados. Foi também o mais dedicado dos genros, sendo adorado por meus avós maternos, que nos proporcionaram as melhores e mais profundas recordações dos anos vividos no casarão da rua do Sol.
Foi também uma vida de trabalho duro em ritmo acelerado, responsável, em útima análise, por um sério enfarte que forçou um regime de semi-aposentadoria ainda jovem, aos 52 anos de idade, seguido de muitos anos de angina pectoris e outros problemas de saúde que causaram o seu falecimento em 1994, aos 78 anos.
